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R$ 161 milhões do PIS/Pasep 2023 ainda podem ser sacados até 29/12/2025; 154 mil trabalhadores não retiraram

R$ 161 milhões do PIS/Pasep 2023 ainda podem ser sacados até 29/12/2025; 154 mil trabalhadores não retiraram dez, 17 2025

Até o último dia de 2025, 154.180 trabalhadores ainda podem resgatar o Abono Salarial PIS/Pasep referente ao ano-base de 2023 — um total de R$ 161 milhões em valores não retirados. O prazo final para saque é 29 de dezembro de 2025, e depois disso, os recursos não serão perdidos: ficarão disponíveis por mais cinco anos, inclusive para dependentes. O alerta vem do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que divulgou dados atualizados na terça-feira, 16 de dezembro de 2025, quando o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat) aprovou o calendário de pagamento para 2026.

O que ainda está para ser sacado?

Apesar do calendário oficial de pagamentos do Abono Salarial 2023 ter encerrado em 15 de agosto de 2025, os valores pendentes continuam disponíveis. São trabalhadores da iniciativa privada (PIS, pela Caixa Econômica Federal) e servidores públicos (Pasep, pelo Banco do Brasil) que atenderam aos requisitos legais — mas não foram até as agências, não acessaram o aplicativo ou simplesmente esqueceram. O valor médio por benefício é de cerca de R$ 1.044, mas varia de R$ 126,50 a R$ 1.518, conforme o número de meses trabalhados em 2023.

Isso significa que, mesmo após o fim do calendário, o dinheiro não some. Ele fica em espera — e é um direito, não um presente. Muitos não sabem disso. E é justamente essa desconexão entre direito e conhecimento que alimenta o volume de recursos parados. O MTE já tentou alertar por SMS, e-mail e notificações no app do FGTS, mas ainda assim, quase 155 mil pessoas deixaram de retirar.

2025 foi o ano da quase totalidade

No ano passado, o governo liberou R$ 30,7 bilhões para 26,3 milhões de trabalhadores, atingindo uma taxa de cobertura de 99,42%. Ou seja: quase todos que tinham direito receberam. Mas o que sobrou? Um pequeno grupo — e esse grupo é o que agora preocupa. Porque não é falta de dinheiro. É falta de ação.

Em novembro de 2025, foi feito um lote extra de pagamentos: 1.640.201 trabalhadores que tiveram seus dados enviados com atraso pelos empregadores finalmente receberam R$ 1,5 bilhão. Isso mostra que o sistema consegue corrigir erros — mas só se o trabalhador estiver atento. Muitos não sabem que o empregador é quem informa seus dados na Rais ou no eSocial. Se ele errar, o trabalhador fica de fora — até descobrir.

O que vem em 2026?

Na mesma reunião de 16 de dezembro, o Codefat aprovou o calendário para o Abono Salarial 2026. Os pagamentos começam em 15 de fevereiro de 2026 e terminam em 15 de agosto de 2026. Estão previstos 26,9 milhões de beneficiários, com um orçamento total de R$ 33,5 bilhões. O ministro Luiz Marinho, à frente do MTE, apresentou a proposta como um modelo mais previsível: datas fixas, sem surpresas, como um relógio.

Isso é importante. Porque, nos últimos anos, o calendário mudava de forma imprevisível. Agora, o trabalhador pode anotar na agenda: fevereiro a agosto, todo ano, é hora de checar o abono. E não esperar até o último dia.

Regras futuras: o fim da dupla faixa salarial?

Uma mudança silenciosa, mas profunda, está em andamento. Atualmente, o abono é pago a quem ganhou até dois salários mínimos mensais em 2023 (R$ 2.640). Mas o Codefat já decidiu: até 2035, esse teto será reduzido progressivamente até chegar a um salário mínimo e meio (cerca de R$ 1.980 em 2025). Isso vai afetar milhões de trabalhadores que hoje têm direito, mas que, daqui a dez anos, talvez não tenham mais.

Por que isso? O governo argumenta que o programa precisa ser mais focado — e não mais um benefício universal. Mas sindicatos e especialistas já alertam: isso pode excluir trabalhadores de baixa renda que vivem na fronteira do limite, como motoristas de aplicativo, vendedores e diaristas que têm renda variável.

Como sacar o que ainda está disponível?

Se você trabalhou formalmente por pelo menos 30 dias em 2023, ganhou até R$ 2.640 por mês, está inscrito no PIS/Pasep há mais de cinco anos e seu empregador informou seus dados corretamente — você tem direito. Mesmo que não tenha sacado ainda.

Para sacar:

  • Trabalhadores da iniciativa privada (PIS): vão à Caixa Econômica Federal com o CPF e um documento com foto. Também podem usar o app Caixa Tem ou o site da Caixa.
  • Servidores públicos (Pasep): vão ao Banco do Brasil com CPF e documento. Também podem consultar pelo site do BB ou pelo app.

Não precisa de senha. Não precisa de agendamento. É só ir, apresentar o CPF e pedir o Abono Salarial de 2023. Se o sistema mostrar que há valor disponível, o dinheiro é liberado na hora — em espécie ou em conta.

Se não sacar até 29/12/2025, perco o dinheiro?

Não. O Codefat decidiu: os valores não resgatados até essa data permanecem disponíveis por cinco anos. Ou seja: até 29 de dezembro de 2030. E, curiosamente, até os dependentes do beneficiário — como cônjuge ou filhos — podem sacar, caso o trabalhador tenha falecido.

Isso é raro em programas sociais. Geralmente, o dinheiro volta para o fundo. Aqui, o Estado reconhece: esse é um direito que não se apaga por esquecimento.

Frequently Asked Questions

Quem tem direito ao Abono Salarial de 2023?

Tem direito quem trabalhou formalmente por pelo menos 30 dias em 2023, recebeu até R$ 2.640 por mês, está inscrito no PIS/Pasep há mais de cinco anos e teve os dados corretamente informados pelo empregador na Rais ou eSocial. O valor varia entre R$ 126,50 e R$ 1.518, conforme os meses trabalhados.

Como saber se tenho valor para sacar?

Acesse o site da Caixa Econômica Federal (para PIS) ou do Banco do Brasil (para Pasep), use o app ou ligue para a central. Informe seu CPF. Se houver saldo pendente, o sistema mostrará automaticamente. Também é possível consultar no app FGTS, que integra os dados do abono.

O que acontece se eu não sacar até 29 de dezembro de 2025?

O valor não é perdido. Fica disponível por mais cinco anos, até 29 de dezembro de 2030. Mesmo após essa data, os dependentes do beneficiário (como cônjuge ou filhos) ainda podem sacar, caso o trabalhador tenha falecido. O dinheiro permanece no Fundo de Amparo ao Trabalhador, mas o direito não expira.

Por que tantos não sacam, mesmo tendo direito?

Muitos não sabem que têm direito, outros não sabem como consultar, e alguns acreditam que o prazo foi definitivo. Além disso, empregadores que não informaram os dados corretamente no eSocial geram atrasos — e o trabalhador fica sem aviso. O sistema é eficiente, mas a comunicação ainda é frágil.

O valor do abono vai mudar em 2026?

O valor por mês trabalhado será calculado com base no salário mínimo de 2026, que ainda não foi definido. Mas o teto para ter direito ao benefício — atualmente dois salários mínimos — será reduzido progressivamente até 2035, chegando a um salário mínimo e meio. Isso pode excluir milhões de trabalhadores com renda variável.

O abono é pago todo ano? Posso sacar mais de uma vez?

Sim, é pago anualmente, mas sempre referente ao ano-base anterior. Ou seja: em 2026, você saca o abono de 2025. Em 2027, o de 2026. Cada ano tem seu próprio calendário e seus próprios requisitos. Você não pode sacar mais de um ano de uma vez — só o referente ao ano em que trabalhou formalmente.

20 Comentários

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    Rejane Araújo

    dezembro 18, 2025 AT 15:44
    Uma grana boa pra quem esqueceu, né? 😊 Eu tava até esquecendo que tinha direito, mas agora vou verificar no app da Caixa. Melhor dinheiro que sobra do que sumir!
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    agnaldo ferreira

    dezembro 20, 2025 AT 15:31
    É de suma importância ressaltar que a permanência dos recursos no Fundo de Amparo ao Trabalhador, por um período adicional de cinco anos, constitui um ato de justiça social e reconhecimento formal do direito adquirido. A ausência de comunicação eficaz por parte das instituições públicas, entretanto, persiste como um obstáculo estrutural à efetivação plena desse direito.
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    pedro henrique

    dezembro 22, 2025 AT 01:40
    Puts, mais essa manobra do governo pra parecer que tá ajudando. 154 mil pessoas esquecendo? Tá mais é na mão deles pra avisar direito, e não jogar a culpa no trabalhador. Se o sistema é tão bom, por que não envia notificação automática pro celular de todo mundo?
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    Gilvan Amorim

    dezembro 22, 2025 AT 12:13
    Essa história do direito não se apagar por esquecimento é profunda, cara. A gente vive num sistema que te esquece se tu não gritar, mas aqui o Estado diz: 'não, seu direito tá aí, mesmo se tu dormir'. É raro. É bonito. E isso me faz acreditar que ainda tem espaço pra humanidade nas burocracias.
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    Bruna Cristina Frederico

    dezembro 24, 2025 AT 07:41
    Importante lembrar: o abono é um direito, não um presente! Se você trabalhou 30 dias em 2023 e recebeu até R$2.640/mês, você tem direito - e não pode deixar isso passar! Verifique agora mesmo no app da Caixa ou do BB!
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    Flávia França

    dezembro 25, 2025 AT 06:37
    Essa história de ‘não perde o dinheiro’ é pura ilusão de ótica, meu caro. O governo sabe que 90% desses 154 mil vão esquecer mesmo, e o dinheiro fica lá, quietinho, rolando no fundo do caixa, enquanto eles falam em ‘foco’ e ‘eficiência’. É o capitalismo disfarçado de assistencialismo. 🤡
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    Alexandre Santos Salvador/Ba

    dezembro 25, 2025 AT 20:39
    Eles querem reduzir o teto pra 1,5 salário mínimo? Tá claro: é o plano de desmantelar o PIS/PASEP aos poucos. E quem tá por trás disso? Os bancos privados, claro. O BB e a Caixa vão lucrar mais se o povo não sacar e o dinheiro ficar lá, rendendo pra eles. Não acredita? Olha os contratos de gestão...
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    Wanderson Henrique Gomes

    dezembro 27, 2025 AT 11:10
    Fui na Caixa ontem e pedi pra ver se tinha meu abono de 2023. Tinha R$1.200! Fácil, rápido, sem senha. Só precisava do CPF. Se você tá lendo isso e não sacou, tá perdendo grana que é sua. Vai agora, antes de esquecer de novo.
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    Mariana Moreira

    dezembro 28, 2025 AT 09:35
    Ah, então é isso que tá acontecendo... Você trabalha, paga imposto, o empregador esquece de mandar o eSocial... E aí você fica com R$1.000 lá, esquecido, enquanto o governo te manda um SMS que você nem abriu? 🤦‍♀️ Eles querem que a gente seja super-humano pra garantir direito básico? Que absurdo!
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    Mayri Dias

    dezembro 28, 2025 AT 13:28
    No Nordeste, muita gente nem sabe o que é PIS/PASEP. Eu já ajudei minha tia a sacar, só porque ela me contou que tinha um dinheiro 'esquecido'. A gente precisa de campanhas nas comunidades, nos mercados, nas igrejas. Não adianta só app e site. O povo precisa ser alcançado onde tá.
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    Dayane Lima

    dezembro 29, 2025 AT 20:29
    E como eu faço pra saber se meu empregador enviou os dados? Tem algum jeito de ver isso?
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    Bruno Rakotozafy

    dezembro 30, 2025 AT 09:39
    Fiz o saque ontem no BB, foi rápido. Só fui porque vi o post. Muita gente nem sabe que pode sacar depois do prazo. Acho que o governo deveria mandar um lembrete todo mês até dezembro de 2025. Pelo menos
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    Gabriel Nunes

    dezembro 31, 2025 AT 06:32
    Tudo isso é só para manter o povo distraído. Enquanto isso, o salário mínimo não acompanha a inflação e o governo corta bolsas. Mas aí vem essa história de 'R$161 milhões disponíveis' como se fosse uma vitória. É um paliativo. Eles querem que a gente agradeça por sobras.
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    Volney Nazareno

    janeiro 1, 2026 AT 08:28
    Interessante. Mas não tenho interesse em sacar. Não preciso.
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    Rodrigo Eduardo

    janeiro 1, 2026 AT 08:33
    Se o empregador não informou o eSocial não tem como sacar mesmo
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    Luiz André Dos Santo Gomes

    janeiro 2, 2026 AT 22:52
    Sabe o que é mais triste? Que esse dinheiro tá lá, esperando, enquanto muita gente passa fome, paga aluguel atrasado, compra remédio no parcelado... E o Estado tá lá, calmo, dizendo: 'tá disponível por mais cinco anos'. Como se tempo fosse um bônus que a gente tem pra correr atrás de direito. Mas a vida não é um formulário online. A vida é correr, trabalhar, se esquecer de si mesmo. E aí, quando a gente lembra, já tá quase no fim do prazo. E aí? A gente se sente culpado? Não. A gente se sente abandonado.
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    João Pedro Ferreira

    janeiro 4, 2026 AT 10:00
    Essa parte dos dependentes poderem sacar depois do falecimento é algo que realmente me tocou. Mostra que, por mais burocrático que seja, o sistema ainda reconhece laços humanos. Isso é raro. E bonito.
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    Afonso Pereira

    janeiro 4, 2026 AT 16:21
    A redução progressiva do teto pra 1,5 salário mínimo é uma política de exclusão disfarçada de eficiência. O Codefat está alinhado com os interesses do capital financeiro, não do trabalhador. A lógica é clara: quanto menos gente no abono, mais dinheiro sobra pra ser reaplicado em fundos de investimento privado. É neoliberalismo com cara de assistencialismo.
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    Caio Pierrot

    janeiro 5, 2026 AT 06:26
    O modelo de calendário fixo em 2026 é um avanço real. Previsibilidade é um direito também. Agora, se o governo conseguir melhorar a comunicação com os empregadores e garantir que os dados cheguem no eSocial sem atraso, a gente realmente vai fechar essa lacuna. É possível. Só precisa de vontade política
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    Jailma Jácome

    janeiro 5, 2026 AT 10:07
    Às vezes penso que o sistema não foi feito para nos ajudar, mas para nos testar. Se você é organizado, se lembra, se busca, você recebe. Se não, você é esquecido. E isso não é justo. O direito não deveria depender de memória, de internet, de app, de saber onde olhar. Deveria ser automático. Mas talvez, nesse mundo, ser lembrado seja o primeiro passo pra ser visto.

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